domingo, janeiro 25

fodi-me.

Encosta-te a mim,

nós já vivemos cem mil anos

encosta-te a mim,

talvez eu esteja a exagerar

encosta-te a mim,

dá cabo dos teus desenganos

não queiras ver quem eu não sou,

deixa-me chegar.

Chegado da guerra,

fiz tudo p´ra sobreviver em nome da terra,

no fundo p´ra te merecer

recebe-me bem,

não desencantes os meus passos

faz de mim o teu herói,

não quero adormecer.

Tudo o que eu vi,

estou a partilhar contigo

o que não vivi, hei-de inventar contigo

sei que não sei, às vezes entender o teu olhar

mas quero-te bem, encosta-te a mim.

Encosta-te a mim,

desatinamos tantas vezes

vizinha de mim,
deixa ser meu o teu quintal

recebe esta pomba que não está armadilhada

foi comprada, foi roubada, seja como for.

Eu venho do nada
porque arrasei o que não quis

em nome da estrada
onde só quero ser feliz

enrosca-te a mim,
vai desarmar a flor queimada

vai beijar o homem-bomba, quero adormecer.

Tudo o que eu vi,

estou a partilhar contigo o que não vivi,

um dia hei-de inventar contigo

sei que não sei, às vezes entender o teu olhar

mas quero-te bem, encosta-te a mim




não quis amar-te. não quero.

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