domingo, junho 14

Para a Mariana



- Adeus, disse à flor.
Mas ela não lhe respondeu.
- Adeus, repetiu.
A flor tossiu. Mas não era por causa da sua constipação.
- Fui estúpida, disse-lhe ela finalmente. Peço-te desculpa. Procura ser feliz.
Ficou surpreendido com a ausência de censuras. Permanecia ali, muito confuso, com a redoma no ar. Não compreendia aquela calma suavidade.
- É verdade, amo-te, disse-lhe a flor. Não o soubeste por culpa minha. Isso não tem qualquer importância. Mas foste tão estúpido como eu. Procura ser feliz... Deixa essa redoma em paz. Já não a quero.
- Mas o vento...
- Não estou tão constipada como isso... O ar fresco da noite há-de fazer-me bem. Sou uma flor. Não te demores assim, é irritante. Decidiste partir. Vai embora.Não queria que ele a visse chorar. Era uma flor tão orgulhosa...
(...) Ao despedir-se da raposa, esta disse-lhe:
- Vai olhar outra vez as rosas. Compreenderás que a tua é única no mundo. Voltarás para me dizer adeus e eu faço-te presente de um segredo.
O principezinho foi ver outra vez as rosas.
- Não são de modo nenhum parecidas com a minha rosa, ainda não são nada, disse-lhes ele. Ninguém vos cativou e vocês não cativaram ninguém. São como era a minha raposa. Era uma raposa parecida com cem mil outras. Mas fiz dela minha amiga e agora ela é única no mundo.
E as rosas ficaram muito incomodadas.
- São belas, mas vazias, disse-lhes ele ainda. Não se pode morrer por vocês. É certo que um vulgar viandante pensaria que ela se parece convosco. Mas por si é mais importante que vocês todas pois foi ela que eu reguei. Foi ela que eu coloquei sob uma redoma. Foi ela que eu abriguei com o guarda-vento. Foi a ela que matei as lagartas. Foi ela que eu ouvi queixar-se ou gabar-se, ou por vezes calar-se. Ela é a minha rosa.

terça-feira, março 17

Elogio à Morte I

À luz de um claro olhar
Ouço lamúrias de almas, no arvoredo,
Sol nulo dos dias vãos,
Qual névoa adormecida.
Temo de regressar…
Quis dizer o mais claro e o mais corrente
Antes que este mal viesse.
São mortos os que nunca acreditaram
Que eu vivo à espera dessa noite estranha,
Belo rio sem lágrimas,
Brilhando indefectível,
Em cima da minha mesa.
Ela brinca com os meus sonhos,
Lá no fundo do poço em que me espelho,
E a aurora indecisa demora
Fazendo os deleites de quem como eu
Espera.




Rita Nova 2005

sábado, janeiro 31

voodoo girl. me.

Her skin is white cloth,
and she's all sewn apart
and she has many colored pins
sticking out of her heart.

She has many different zombies
who are deeply in her trance.
She even has a zombie
who was originally from France.

But she knows she has a curse on her,
a curse she cannot win.
For if someone gets
too close to her,

the pins stick farther in.

But she knows she has a curse on her,
a curse she cannot win.
For if someone gets
too close to her,

the pins stick farther in.

domingo, janeiro 25

fodi-me.

Encosta-te a mim,

nós já vivemos cem mil anos

encosta-te a mim,

talvez eu esteja a exagerar

encosta-te a mim,

dá cabo dos teus desenganos

não queiras ver quem eu não sou,

deixa-me chegar.

Chegado da guerra,

fiz tudo p´ra sobreviver em nome da terra,

no fundo p´ra te merecer

recebe-me bem,

não desencantes os meus passos

faz de mim o teu herói,

não quero adormecer.

Tudo o que eu vi,

estou a partilhar contigo

o que não vivi, hei-de inventar contigo

sei que não sei, às vezes entender o teu olhar

mas quero-te bem, encosta-te a mim.

Encosta-te a mim,

desatinamos tantas vezes

vizinha de mim,
deixa ser meu o teu quintal

recebe esta pomba que não está armadilhada

foi comprada, foi roubada, seja como for.

Eu venho do nada
porque arrasei o que não quis

em nome da estrada
onde só quero ser feliz

enrosca-te a mim,
vai desarmar a flor queimada

vai beijar o homem-bomba, quero adormecer.

Tudo o que eu vi,

estou a partilhar contigo o que não vivi,

um dia hei-de inventar contigo

sei que não sei, às vezes entender o teu olhar

mas quero-te bem, encosta-te a mim




não quis amar-te. não quero.

sexta-feira, janeiro 16

Laura Veirs - Galaxies

When you sing, when you sing
The stars fill up my eyes
Galaxies pour down my cheeks
Galaxies…they flood the street
Galaxies

When we dance, when we dance
Eels and sea grass float on by
I’m 10,000 leagues beneath the sea
10,000 leagues…beneath the green
10,000 leagues

When we kiss, when we kiss
Bears and boulders vibrate through the air
Gravity is dead you see
No gravity…all I need is beating red
No gravity…


e se não te amo, não sei o que é.

Morceguinha. lol.

segunda-feira, janeiro 12

voltei ao Antero

Espírito que passas, quando o vento
Adormece no mar e surge a Lua,
Filho esquivo da noite que flutua,
Tu só entendes bem o meu tormento...

Como um canto longínquo - triste e lento-
Que voga e subtilmente se insinua,
Sobre o meu coração que tumultua,
Tu vestes pouco a pouco o esquecimento...

A ti confio o sonho em que me leva
Um instinto de luz, rompendo a treva,
Buscando. entre visões, o eterno Bem.

E tu entendes o meu mal sem nome,
A febre de Ideal, que me consome,
Tu só, Génio da Noite, e mais ninguém!