terça-feira, março 17

Elogio à Morte I

À luz de um claro olhar
Ouço lamúrias de almas, no arvoredo,
Sol nulo dos dias vãos,
Qual névoa adormecida.
Temo de regressar…
Quis dizer o mais claro e o mais corrente
Antes que este mal viesse.
São mortos os que nunca acreditaram
Que eu vivo à espera dessa noite estranha,
Belo rio sem lágrimas,
Brilhando indefectível,
Em cima da minha mesa.
Ela brinca com os meus sonhos,
Lá no fundo do poço em que me espelho,
E a aurora indecisa demora
Fazendo os deleites de quem como eu
Espera.




Rita Nova 2005

2 comentários:

Francisco Gomes disse...

Eram duas gotas de chuva,
Transparentes, de cor diferente,
Acentavam como uma luva...
Só que no pé de toda a gente

Pingavam como qualquer outra
Em poças, cabeças e rosto,
Eram essa a ideia feita
Sem a mínima suspeita
Do seu verdadeiro composto

Moravam as duas comigo,
Nos meus olhos a esperar
Que quando me nascesse o pranto
Saltassem de cada canto
Correndo para se encontrar

Hora passada, dor marcada,
Mas uma lágrima corria só
Sem par no desgosto lento,
Joguei lascas, areias, vento,
Sonhos, mentira e pó

Gota boa que há de ser,
Ficou presa contra vontade,
Mas agora e sempre que possa,
Chorarei para ver se és nossa,
Chorarei pela metade

I. disse...

Quando é que cê publica seus livros? :P